Como funcionam as leis trabalhistas na Suécia?

“Se um trabalhador estiver de férias e ficar doente, isto significa que ele não vai poder aproveitar as férias”, comenta, candidamente, Natali Sial, assessora do Ministério do Trabalho da Suécia.

“Por isso, na Suécia todo trabalhador que passa por esta situação tem direito a licença médica durante as férias, e a negociar com o patrão a possibilidade de ou estender a data da volta ao trabalho ou a tirar como folga, em outra ocasião, os dias em que ficou de cama”.

Em média, os suecos trabalham cerca de 38 horas por semana. E a legislação manda: nenhuma jornada de trabalho pode exceder a carga de 40 horas semanais.

Mais: é comum, por exemplo, que empresas suecas ofereçam horários flexíveis e jornadas mais curtas a fim de atrair os melhores trabalhadores.

Para reduzir a distância entre dirigentes e dirigidos, outra lei fundamental do modelo sueco de relações trabalhistas é a Lei de Co-Gestão. Isso quer dizer, por exemplo, que uma empresa é obrigada a negociar com os sindicatos antes de adotar qualquer medida que possa afetar as operações da companhia.

Nas empresas privadas que empregam mais de 25 funcionários, os trabalhadores têm o direito de eleger dois representantes para o conselho de administração da companhia. Em empresas com mais de mil funcionários, eles podem eleger três representantes dos trabalhadores – que têm os mesmos direitos e obrigações dos demais membros do conselho administrativo.

Já a Lei de Proteção ao Emprego regula a duração e o término de um contrato de trabalho, tanto no setor público como no privado. Os termos da lei também são mandatórios – o que significa que qualquer acordo entre patrão e empregado que viole os direitos trabalhistas previstos na legislação é, aos olhos da Justiça sueca, um acordo inválido.

E, pela lei sueca, um trabalhador só pode ser demitido por justa causa. E nos casos em que a empresa promove uma redução de quadros, a norma sueca é a do “last-in-first-out”: o primeiro funcionário a ser demitido deve sempre ser o último trabalhador a ter sido contratado pela empresa. Com uma regra extra: o período do aviso prévio, segundo decisão do Parlamento sueco, varia de acordo com o tempo em que o funcionário trabalhou na empresa.

A Reforma Trabalhista recentemente aprovada, além de não ter resolvido os problemas trabalhistas, aumentou a precariedade do trabalho e a insegurança jurídica.

Estamos, definitivamente, na contramão do desenvolvimento.

Fonte: Jornal GGN